O Processo de Individuação

Fazer o indivíduo tornar-se a pessoa que realmente é.

O processo de individuação

O processo de individuação compreende o relacionamento dialógico entre o consciente e o inconsciente, os quais se unem nos símbolos.

O objetivo do processo de individuação é fazer o indivíduo tornar-se a pessoa que realmente é. Tal conceito é aristotélico e, segundo Aristóteles, cada coisa criada tem em si a forma que lhe é exclusivamente própria, e a vida deve levar a essa forma própria.

Ao refletir sobre essa maneira de ver o processo humano de desenvolvimento, pode-se chegar à imensa necessidade que o ser humano tem de buscar-se, conhecer-se em seus mais íntimos aspectos.

Penso no simbolismo do batismo. O batismo tem como objetivo a reconexão com a divindade, perdida pelo “pecado original”.

Em outra oportunidade, poder-se-á refletir sobre esse conteúdo arquetípico do nosso inconsciente coletivo, tão carregado de energia. Por enquanto, pensemos nessa reconexão oferecida pela igreja, pelo ritual do batismo, mas que, afastada da valorização oferecida por uma educação mais ampla, voltada aos valores espirituais, perde o sentido. Fica, assim, transformada apenas em ritual vazio de sentido, impregnado pela razão, a qual diz apenas que precisa ser realizado, cumprindo-se a obrigação imposta por um credo religioso dogmático.

Levando em conta o processo de individuação, Verena Kast diz que a plenitude de nossas possibilidades vitais torna-se, em grande parte, experienciável – aquilo que em nós é depositado pela própria experiência do viver. Nesse sentido, enfatiza Kast, que a individuação é um processo de diferenciação: a especificidade de uma pessoa necessita se manifestar em sua singularidade.

Tal questão, no entanto, envolve alguns passos necessários e fundamentais. Por ora, três deles serão descritos.

1) A aceitação de si, com as possibilidades e as dificuldades, o que passa a ser uma virtude adquirida. Tornar-se o que se é não significa tornar-se plano, harmônico, polido, mas sim, aceitar em si o que se é: o homogêneo na própria personalidade juntamente com “as quinas e cantos”, quando cada mudança que experienciamos encontra-se no campo do corrigível e é provisória.

2) Uma busca constante, que seja diuturna, incansável e, principalmente, humilde, por um nível no qual o micro e o macro, o uno e o todo se integrem. Nesse “lugar”, não cabe o esquecimento do outro, não vige o egoísmo, mas o altruísmo em sua mais pura essência, voltado para o social, o político e o ecológico.

3) Saber-se pequeno para a empreitada, porém, carregado dos recursos necessários e suficientes. Além disso, reconhecer, pela sabedoria, que tais recursos se ampliam, se amplificam, se multiplicam e se espalham como sementes voadoras ao vento, alcançando lugares e pessoas inimagináveis, além de fazer a diferença, promovendo transformações. E isso, é a Alquimia.

Referências Bibliográficas

JUNG, Carl Gustav. Psicologia e Alquimia. 4a. ed. Petrópolis, RJ: Vozes: 1991. V. XII

KAST, Verena. A Dinâmica dos Símbolos: Fundamentos da Psicoterapia Junguiana. São Paulo : Loyola, 1997.

 

Idalina A de Souza

Psicóloga Clínica – CRP: 6/65192

Analista Junguiana, membro da Associação Junguiana do Brasil – AJBI

Membro da International Association of Analytical Psychology – IAAP/Zurique

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